segunda-feira, 4 de abril de 2011

Medinho


Tá relampejando muito nesse momento, enquanto escrevo esse texto. O tempo virou e começou a chover forte. Os clarões no céu são daquele jeito, parece que Deus tá tirando uma foto da Terra, alguns segundos depois chega o barulho do trovão. Aliás, relâmpago é a luz e trovão é o barulho? Acho que sim, de qualquer forma não faz muito sentido ter dois nomes, já que um é o outro e o outro é o um. Eu, particularmente, curto os relâmpagos. Sou um fã dos fenômenos naturais e esse pra mim é um dos mais legais. Quando começa a tempestade de verão eu me sinto bem e sou o primeiro a ir pra varanda ver de perto. Mas tem gente que não gosta de relâmpagos, tem medo. Quer dizer, medo não, medinho - eu explico a diferença.

Medo é um sentimento natural de preservação da vida. Nós temos medo daquilo que nos ameaça. Todo mundo tem medo e não precisa se envergonhar dele. Quem não tem medo da morte, da solidão, medo em momentos de perigo, etc? Muito diferente do medinho. Medinho é o medo irracional que se tem de coisas inofencivas. Os mais clássicos são barata, rato, escuro, altura, velocidade, mar, fantasma, filmes de terror, bicho-papão (mais comum entre as crianças).

Antes de qualquer reflexão sobre o medinho, é preciso dizer algo sobre ele: todos têm os seus. Se alguém diz que não tem nenhum medinho irracional está mentindo ou não se conhece direito. É só uma questão de averiguar melhor, até porque os medinhos podem ser bastante exóticos. Eu mesmo conheço um cara que tem medo de dormir em ônibus e ser degolado - é isso mesmo, o medinho é especificamente para os ônibus, já que nos coletivos costumamos adormecer com o pescoço esticado e a cabeça escorada no banco.

Pra pensarmos sobre a inofencividade dos medinhos, peguemos como exemplo o medinho mais clássico de todos: rato. Diga-me, o que aquele bicho escroto faz para as pessoas terem tanto medo? Os troxas perdem tempo tentando explicar "Eu não tenho medo, tenho nojo..." Que tipo de argumento é esse? Nojo não causa as reações que costumamos ver, como gritos, tremedeiras e até choro. As mulheres, famosas por fugirem das reodores, deviam prestar atenção nos homens quando aparecer uma criaturazinha nojenta dessas. Vão perceber que eles (ou nós...) também tememos os Mickeys.

Os medinhos são incovenientes, mas fazem parte da pessoas e ajudam a construir a identidade delas, assim como características de personalidade. A pior coisa do mundo é alguém querer "libertar" outra pessoas de um medinho. "Vem cá pra beira desse precipício, deixa de ser bobo! Vamos perder esse medo de altura é agora!". A intenção pode até ser boa, mas é uma puta imbecilidade! Tentar "ensinar" alguém a não ter medo é simplesmente idiota. Não é assim que funciona. Os medinhos são irracionais, por isso se tornam tão especiais.

Até porque, não é tão simples acabar com medinhos. Eles estão plantados muito mais fundo do que pensamos. Eu odeio lagartixas e o dia que decidi vencer esse medinho na marra foi o mais traumático de todos, mas essa história eu conto melhor outro dia. A lição de hoje é: respeito os medinhos dos amiguinhos porque você nunca sabe quando uma barata vai entrar no seu sapato antes de você calça-lo. Eca...

[Novos textos sempre às terças e sextas]

4 comentários:

Priscilla Acioly disse...

Cãrãcã. Eu sou uma rainha de medinhos: insetos, qualquer bicho pegajoso e de aparência nojenta (tipo lesma), ratos. E sem contar outros medos. Eu tinha medo de dormir sozinha, MUITO MEDO. Daí quando me mudei pra uma casa em que eu teria um quarto só pra mim, e não dormiria com meus irmãos, eu tive que vencer esse medo. E eu consegui! Na verdade, eu quase consegui. Tem dias que tenho recaídas e vou pro quarto dos meus pais descaradamente, ou pros meus (nessa hora) amados irmãos. rs

Anônimo disse...

Sabe que eu não tenho muitos medinhos? Juro, se a barata estiver do meu lado, mas não encostar em mim, tudo tranquilo. O meu problema é com a imprevisibilidade, acho que esse é meu medinho master, tenho medo do que não sei que vai acontecer. Acho que é por isso que - diferente do Jônatas - não tenho medo de lagartixas, elas nunca te surpreendem.
MAS, VOU TE CONTAR, QUE FOTO NOJENTA, HEIM. Quando eu abri o blog quase não li o texto por causa dessa foto escrota.

Anônimo disse...

Pô, sou totalmente oposto a teoria levantada aqui. Sem falar que não concordo com o embasamento. Se medo é "um sentimento natural de preservação da vida." Medo de altura e medo de mar não são medinhos, pois os medrosos, me incluo, tem medo de morrer de queda ou afogados. Rato, a pessoa pode alegar que tem medo da mordida, de pegar raiva, medo da dor... Acho que medos são medos, já vi gente ter medo de anão e já vi gente ter medo da morte. Ambas sofriam.
Fica a recomendação de filme: FILMEFOBIA. Só trata de medos. É ESPETACULAR!

Anônimo disse...
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