segunda-feira, 29 de março de 2010

War


Joguei War pela primeira vez na semana passada de uma forma, eu diria, inesperada. Meu vizinho veio a minha casa e como de vez em quando a gente joga um Winning Eleven na casa dele eu perguntei, quase por educação, "e aí, e o Winning Eleven?", no que ele me respondeu, "Nada cara, agora eu só quero saber de jogos de tabuleiro..."

Eu juro que ele disse exatamente essas palavras. Primeiro achei que tinha escutado mal porque pô, estamos na era digital, Banda Larga, 3G, google, play3, nintendo wii, HD, Avatar, Império do Amor (!) Essa respota vai contra o rumo da civilização ocidental do séc. XXI! Mas foi isso mesmo que ele me falou. E minutos depois ele já tinha ido ao 201 e voltado ao 401 com uma bolsa cheia de jogos de tabuleiro, dentre ele, War.

Quis jogar War. Nunca tinha jogado até então. Tinha que jogar esse jogo e me libertar logo desse estigma. Já perdi a conta de quantas vezes fui escorraçado nos mais variados ambientes por admitir que nunca tinha jogado War.
- O quê!!? Como assim você nunca jogou War!
- Caraca, vai se ferrar! Você não teve infância!
- Ih galera, foi mal, mas é que eu nunca tive oportunidade... só isso.
- Que oportunidade o quê mlk! Quem nunca jogou War não sabe o que é bom!
- Não acredito no que eu estou ouvindo. Quer saber? Acho melhor você ir embora
- Como assim gente? Ir embora? Eu já pedi desc...
- Vai embora logo cara! E nunca mais fala com a gente!
- Seu desgraçado!

Dramatizações à parte, ficava intrigado com o espanto das pessoas ao escutarem que eu nunca havia jogado War. Não entendia o porque dessa reação exagerada. Outra parada que eu não entendia era que algumas vezes (não poucas) eu escutei "Caraca! Como assim! Logo você!? Você tem cara de quem joga!". Cara de quem joga War? Sem comentários. Mesmo depois de joagr esse negócio, continuo não entendendo.

Pois bem, joguei. E não é que é legal mesmo? Espalhar o exército, guerrear, dominar o mundo, fácil. É legal dominar o mundo sem ter que se preocupar com economia, política, MST ou ONU. É só cair matando e pronto, ser o dono do mundo. Ah! E eu ganhei o jogo! Que negócio demorado, by the way, mas ganhei. Lá pelas 2h da manhã conquistei meu 25º estado e fui declarado vencedor. Os outros 3 partcipantes nem reclamaram porque ninguém aguentava mais aquilo, mas minha vitória foi gloriosa mesmo assim.

Não pretendo jogar War tão cedo, tenho mais o que fazer. Mas é bom poder não ser mais perseguido pelos olhares julgadores daqueles que só porque jogaram War meia dúzia de vezes ficam metendo essa que minha experiência de vida não é plena! Pronto, tá feito.

Próximo passo agora é ir na Terra Encantada, antes que feche. Pior que WAR, só a reação das pessoas ao escutarem que eu nunca fui na Terra Encantada.
- O quê? Como assim você nunca foi à Terra Encantada!?
- Caraaaaaca! Não acredito! Tu é um infeliz mesmo!
- Que isso gente, relaxa, só nunca rolou de eu ir... só isso...

quarta-feira, 17 de março de 2010

A cara do coroa

Quando a mulher fica grávida, todo mundo quer saber se vai ser menino ou menina né? Normal. Depois que as pessoas descobrem o sexo do bebê, lá pelo 4º mês (chutei!), a grande curiosidade é saber qual será o nome da criança! Em algumas famílias isso dá briga e tudo. Essas são as duas grandes notícias em torno da gravidez, mas há também uma grande mobilização após o nascimento: saber com quem o bebê é parecido, com pai ou com a mãe.

Eu acho isso maior historinha porque só há uma coisa com que recém-nascidos parecem de fato: joelho (não é o salgado não, é aquele em cima da canela mesmo) E não é qualquer joelho não. Bebês com dias de vida parecem um joelho de um velho de 79 anos de idade. É um negócio horrível e quem chega em frente ao nenenzinho e fala que é lindo, ta sendo educado ou sacana. Legal são os eufemistas que dizem "ele é uma graça". Sacou? Saiu pela tangente.

Mas fatalmente a carinha da criança começa a desinchar e desenrugar e os traços começam a se revelar. Aí começam as opiniões "É a cara da mãe" ou "tem os olhos do pai". "Olha a boca, igualzinha da vó dele!". "Emburrado que nem o tio" e etycéteraz! O engraçado é que todo mundo quer ter material genético estampado na cara do pequeno cidadão (devidamente registrado), principalmente o papai e a mamãe. A disputa é acirrada!

Quando eu era pequeno escutava bastante que era a cara da minha mãe. Não gostava porque eu, com 8, 10 anos sei lá, achava que de uma forma estranha eu parecia uma mulher. Odiava que as pessoas me dissessem isso. Só não gostava menos do que quando minha própria mãe dizia que meu pé parecia da minha vó! (ela diz isso até hj!) Tem coisa pior pra se falar pra uma criança? "Você tem o pé da sua vó"?

Eu cheguei numa idade, porém, que as pessoas começaram a falar que eu era a cara do meu pai, e o tempo foi passando e as pessoas cada vez falavam isso mostrando maior espanto. E meu pai conhece muita gente em muitos lugares diferentes o que me faz passar não poucas vezes pela situação "Você é filho do Marcos Amaral não é?" Aí eu faço uma carinha de artista famoso descoberto por um fã e digo "Sou...". "Meu Deus, você é a cara dele" - meu incoveniente amigo retruca. De modo que eu não posso fazer nada a não ser atacar com o clichê: "É... todo mundo diz isso."

Minha namorada é linda demais e nossos filhos se Deus quiser parecerão com ela. Isso não impede, lógico, de serem simpáticos, criativos, espontâneos, inteligentes, corajosos, habilidosos, musicais e humildes como o pai né? Mas quero muito que eles não sejam parecidos comigo, pelo menos não tanto como eu sou com o meu pai, é muito chato isso. Parece que rouba um pouco da minha personalidade, sem exagero nem frescura, parece sim (ta bom vai, um pouco de frescura).

Depois eu deixo o black power crescer e alguns reclamam. Esse é um dos motivos, tentar tirar a atenção da cara! Porque no final das contas não há como negar, eu sou a cara do coroa...

terça-feira, 9 de março de 2010

Deixa chorar..!


Você já presenciou uma humilhação em lugar público (e cheio) a ponto de você se constranger por outra pessoa? Pra mim, um dos vexames de pior espécie são discórdias barraqueiras entre pais e filhos pequenos.

Porque tem relações entre pais e fihinhos que são completamente desajustadas de modo que um dá esporro, humilha, grita, pisa mesmo no outro, de modo a deixar esse outro sem ação, demoralizado na frente de quem for. E se você acha que eu estou falando de um pai ou uma mãe dando esporro no filho, na na ni na não! Antes fosse! O pior é a criancinha que grita, chora (aquele choro maldito que não tem lágrima, só grito) esperneia, bate, xinga, enfim, humilha com todas as armas o pai ou a mãe (ou, os mais valentes, os dois juntos) deixando-os rendidos no meio da praça de alimentação.

O choro é, sem dúvida, a maior arma dessas criancinhas que ao verem que a situação está fugindo (ou prestes a fugir) um pouco de seu absoluto controle, logo choram, gritando, contorcendo o rosto, tudo isso num movimento crescente constante que logo é interrompido pelo "responsável", que realiza o desejo do pequenino porque não é páreo para seu poderio escandaloso.

O shopping sem dúvida é o local mais escolhido pelos salafrariozinhos para esse tipo de desmoralização. Infelizmente é cada vez mais comum testemunharmos esse tipo de covardia. O constrangimento é todo para a mãe ou o pai. E quer saber? Bem feito! No final das contas, a culpa é deles mesmo.

Tem gente que cria cobra pra acabar picado. A cada vez que o maquiavélico rebento chora pra conseguir alguma coisa e o pai cede, o pequeno ser humano (que é pequeno, mas não é burro) compreende que esse é um caminho fácil e seguro pra conseguir tudo o que quiser. Deixa chorar..! Qual o problema? Deixa chorar..! O que me levou a escrever sobre isso não foi eu ter presenciado mais uma mãe passando vergonha em público, mas o contrário disso.

Vi ontem no ônibus um mulequinhu que no meio da viagem, repentinamente, mostrou as garras vocais pra sua mãe. Aí é que está, ela simplesmente largou o "de'fralda" de lado e deixou chorar! O que impressionou não foi o que veio primeiro: a frieza (a fisionomia de tranquilidade da mãe enquanto seu filhinho se esgoelava por algum motivo banal), mas o que veio depois: quando o nanico percebeu que não conseguiria o que queria, relaxou. E quando a mãe percebeu que seu filho tinha relaxado, voltou a brincar com ele. E elezinho (que não é burro, mas é pequeno) nem se deu conta da raiva que sentia pouco antes, de modo que toda a crise não durou nem 3 minutos, e o final foi feliz.

Minha vó tem uma frase, daquelas que só quem tem neto pode ter: "Ih, criança não morre de tristeza não". Verdade. Então, se o filho é quem dita as regras, ta aí uma dica, nova estratégia: Deixa chorar...
 
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