segunda-feira, 7 de junho de 2010

Médico


Todo mundo já viu em algum filme, livro, novela, ou até ao vivo sei lá, a seguinte situação: dentro de um avião alguém começa a passar mal ou toma um tiro (no caso de um filme de ação) e logo ouve-se o grito desesperado "Um médico por favor! Alguém aqui é médico!?" e logo que o apelo chega aos ouvidos da pessoa certa, um médico se levanta com a segurança e a beleza (caso seja um personagem importante na trama) necessárias pra salvar uma vida, ato banal na vida desse superprofissional.

Sempre tem um médico no avião, já percebeu? Até naqueles que caem, como o de Lost (foto: Dr. Jack Sheppard). Engraçado porque eu conheço poucos médicos: dois. E eles não frequentam muito os aeroportos. Na verdade os doutores representam uma parcela muito pequena da população mundial, me admira portanto sempre estarem nos aviões prontos a socorrer uma vítima surpresa. Eles devem se concentrar nas aeronaves ou formarem algum tipo de escala secreta. Putz, que besteira.

É lógico que a explicação é meramente sociológica. Médicos tem grana e quem tem grana viaja de avião, certo? Simples. Se precisassem de um engenheiro numa emergência dentro do avião (!?), seguramente algum se levantaria. Um arquiteto, um advogado (ok, hoje temos mais advogados que agricultores nesse Brasil), um alto executivo. Enfim, essas profissões que geralmente geram altos salários. Elas voam por aí. Por isso é até normal o médico aparecer no meio da história.

Estranho seria pedirem um médico no busão na hora do rush matinal as 8h dentro do 298 Acarí-Castelo na altura de São Cristóvão porque a Dona Cleide tá suando frio. "Um médico por favor! Alguém aqui é médico!?". Silêncio... Isso se ninguém risse só de ouvir apêlo tão incoveniente. Um médico no 298? No máximo a secretária de um dentista, e olhe lá! É mais fácil jogar a Dona Cleide na sarjeta e seguir viagem.

Esse é o mal de sermos humildes. Ficamos desprotegidos em situações assim. Um mal súbito, uma queda de pressão, um tiro (nesse caso, nada de roteiros de ação. Assalto mesmo) e não temos um doutor pra nos socorrer. Mas tá tranquilo, no final das contas todo brasileiro tem um pouco de policial, técnico de futebol e médico. "Dá água com açúcar pra ele", "suspende as pernas pra circular o sangue" ou "lava o rosto com água fresca" parecem ser conselhos coringas que fazem passar qualquer mal estado.

Nós, passageiros do 298 não precisamos deles! Aliás, quem precisa? Os médicos burgueses que se explodam! Tomara que no próximo filme o próprio médico tome o tiro. Porque se por um lado todo vôo tem um, por outro tem um só! É igual o negro, cada filme tem o seu. Quero ver se o médico tomar mesmo o tiro, quem vai socorrer!? "Algum outro médico por favor! Alguém mais aqui é médico?" Se ferra aí. Pede pro negão socorrer, tenta a sorte. Se bem que pensando bem, muito provavelmente ele tenha sido o autor do disparo. Hollywoody é fogo...

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3 comentários:

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

hahahaha! manda dona Cleide pro salgado!

Anônimo disse...

Jônatas,
Boas observações. Estranho seria ter no avião um pedreiro, um lixeiro, uma cozinheira, um professor. Pior que quebrei a regra. Outro dia, estava no avião e de repente começam a gritar: Por favor, algum professor! Algum professor a bordo?! Levanto-me eu, belo e colosso, e digo: eis-me aqui! Disseram: - É que estamos com um problema matemático na nossa rota. Aí eu disse: mas não sou professor de matemática! Em troca recebi um: droga!... bom, fica aí esta história. Afinal, quando há um professor, ainda querem exigir que seja na área que eles querem!

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